Esta idade, ou um improviso de Martinho Lucas Pires*

a idade só pára quando tu

a idade só pára quando tu

cumprires com o teu dever

e depois (re)começares outra vez

o tempo apanha-me e é meu

cada um sabe do seu

mas sabes que estamos a vencer

e para isso só temos de ter

luuuuuuz

vem e junta-te aqui na dança

agarra-me como uma âncora

enche-me até rebentarmos

no inverno-o

no inverno-o

quando lhe dermos forte

como tu queres

os dias são sempre em frente

se não gostas sê valente

não vou ser um boémio

mas vou divertir-me

o tempo apanha-me e eu

penso em como ser mais seu

sabes que podes falar

e, se quiseres, chorar

oh, siiiiiiiim

somos bons, e é bom viver

queremos o bem, mesmo se doer

que sobrevivas a todo o prazer

no inverno-o

no inverno-o

quando lhe dermos forte

como tu queres

acho que tens o que é preciso

não é preciso muito, é só isto

aceita o que é sentido

e trata de tudo sem pruridos

tenho de apanhar-te em mão

tenho de apanhar-te, pronto e não

não vou parar de sorrir

mas vou continuar a sentir

oh iééééééééé

por isso apanha-me e exige muito

sê o meu suspiro profundo

vem viver por todo este mundo

no inverno-o

no inverno-o

no inverno-o

e mais além

*Inspirado na canção “Middle America” de Stephen Malkmus and the Jicks, 2018. O espírito do dia (e os invernos, primaveras, verões e outonos que para aí venham) é este, e é também o do instrumental em baixo. Ou seja: a abrir. Sempre a abrir. E é isso. Siga nisso? Siga, bróda. Siga bem nisso.