Postal para uma festa de aniversário de trinta anos, três meses, e vinte sete dias

“Obrigado” é uma palavra terrivelmente pequena para abarcar o agradecimento, em especial aquele que devemos aos que nos amam, e teimam em continuar a amar, apesar de todos os nossos bons e maus entusiasmos, os nossos desaparecimentos e reencontros, as nossas vaidades e exageros, as nossas fraquezas e desilusões. Diria até que “obrigado” é uma palavra demasiado fácil, demasiado leve ao ponto de tornar o acto de agradecimento a quem nos ilumina um dia somente com a sua história, com a sua presença, enfim, com a sua vida, demasiado preguiçoso. Sim, “obrigado” não, não serve de todo como oferta para uma pessoa com quem partilhamos um amor de anos, feito de tantos momentos e monumentos, ou um amor de momentos que valem por anos de monumentos. Mas no final do dia podemos arriscar acrobacias, conseguir tesouros ou mover montes, que o que nos vai restar é somente a nossa estúpida figura, de pé e pequena, talvez com um chapéu na cabeça para disfarçar o que não dá, uma figura que até pode ser elegante mas está exposta, aberta perante quem nos faz estar de forma boa nesta vida, perante quem nos dá a vida de verdade. E só nos resta sermos o que sabemos que temos de ser, por eles e por nós, todos os dias do calendário, e isso é: os melhores. Sorrindo, e querendo ardentemente o seu bem. A idade não muda nada: continuo a percorrer ruas e estradas, a ler e a escrever, a beber e a dar, “colhendo com unção os dias / conforme os confiam à minha mão” que com eles sei que estou bem, que tenho esperança. Que os que nos amam sejam, assim, como diz o poema: o sol no cimo do seu esplendor. Obrigado por tudo.

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