Deixa-me dedicar-te o verão

(A partir de José Tolentino Mendonça)

 

O verão é feito de coisas

que não precisam de nome

um passeio de jipe por uma ilha

uma corrida de final de tarde ou

um passeio nocturno

junto a um rio

um guarda-chuva aberto numa curva

um mergulho num mar de tubarões

a água gelada do tanque por baixo

das nossas virilhas

o sorriso de um amigo que ficou para sempre

o sentimento inexplicável de ficar

de nos ouvirmos a olharmo-nos durante

um almoço coberto por uma buganvília

ou um passeio matinal pela praia

a leitura nocturna de um poema

antes de nos fecharem as pálpebras

uma a uma com os dedos

para adormecermos na esperança

do dia seguinte