Summer tempo

Lá fora o azul do céu está claro. Lembra-me o claro do céu algarvio, num daqueles terceiros ou quartos dias de praia de verão (faz dois anos desde a última vez que pus os pés no Algarve, no verão). O sofá da sala de jantar é da mesma cor deste céu, da mesma cor (mais ou menos) do quadro de Nadir Afonso que está na parede à minha frente. Estou sentado no sofá, como estava ontem, e no dia antes desse. Noite, dia, tarde; é impressionante o quão acolhedor este espaço é, mesmo que o sol por vezes bata forte, e que as obras em frente se oiçam em demasia. Tem sido uma semana intensa, para este sofá. Muitas leituras, muitas novidades, muitas emoções. Sentiu-se a vida e a morte, o amor e o medo, a surpesa e a confiança. Confiança na vida, e no amor, e na surpresa. E na morte. Daqui a um mês vou ter outro sofá, não sei de que cor. Se do céu, se da vida, se do amor, se etc. Vai ser outro, tal como a casa vai ser outra, e o tempo vai ser o que for. Como este verão. Este verão tem sido um tempo cheio, com muita calma e serenidade. Mais fácil ou difícil, mas sempre ele, sempre presente, sempre a ser. O céu esteve mais claro ou mais azul, o calor foi maior ou menor, o vento existiu pouco ou nada. Estou sentado no sofá e é sexta-feira, hora de almoço. Está sol. Penso em muita coisa, como de costume. Na vida, na morte, no amor e etc e etc e etc. E sinto: confio. No final, quando me levanto e espreguiço, a chávena de café com a letra ‘F’ vazia, e as obras paradas, o silêncio da sala, o movimento interior do ser, estar e viver, fácil ou difícil ou nada disso, nada que seja explicável por palavras ou quaisquer simples artefactos de linguagem que não olhos e sorrisos — confio. No final, confio. No bem, na verdade, e na vida. E / é / isso — tipo / isto, como / o / estilo: