The beginning of a new academic ano

Every other day I’m wondering porque é que o discaço da Sidney Gish não mereceu mais atenção da parte do mundo em geral e da vida em particular. Mas posso ouvi-lo, posso partilhá-lo, e isso basta. Sigo para o que há para seguir, esgotando o quarto de hora académico com escolhas de gravata de última hora. Apanho uma mota para compensar: estou com um síndrome qualquer que me obriga a seguir, simplesmente, o que o dia é e o que o dia traz. Difícil mas divertido, e bô-om. Está um bom céu, um bom sol — tem sido um verão com bons céus, bons sóis, e boas luas (na Lapa, então, nem vos conto). Ao passar de mota pela Castilho vejo se o Manel está em frente ao notário. O Manel é um antigo colega de faculdade que não vejo há eras e que ontem, quando estava a andar de mota (sem gravata, mas com a mesma mochila vermelha às costas) vi à frente de um notário, na Castilho. Chamei-o — olha o Manel! — mas ele não tugiu nem mugiu. Sim, já disseram que sou um pouco eu, sim. Mas agradeço isso, essa liberdade. Agradeço igualmente o vento fresco que me poupa a uma morte por suor, mas confesso que gostava que estas motas elétricas fossem um bocadinho mais robustas. Na Praça de Espanha penso na importância prática de saber cair, na estrada e na vida. Depois entro na faculdade, para dar início a mais um ano académico, dedicado à Graça da educação, da pedagogia e do Direito. Sou tão geek, às vezes. S. Paulo dizia de manhã aos Coríntios para aspirarem com ardor aos dons mais elevados. E depois venho eu pedir a cada aluno para dizer um filme de que goste. Alguns disseram o Vertigo, outros o Pulp Fiction, e outros ainda o Grease. Está dado o mote. Saio de mota para um almoço. Está um bom dia para andar de mota, sinto-o especialmente quando vejo o alcatrão da Avenida de Roma dourado pelo sol. Dá-me fôlego para cantar o Seasons dos Future Islands, mesmo contra a ligeira nostalgia que me bate no peito sempre que passo pela carcaça do antigo cinema Londres (se gostarem de cinema e se algum dia tiverem a oportunidade de trabalhar nesse tipo de instituição hão de perceber um bocado o sentimento que é vê-lo desaparecido). Mas a vida segue: Almirante Reis a fundo, já com a Sidney Gish de novo na cabeça e na voz. Ai, these sweet instincts da Almirante Reis, cruzada a duas rodas, dourada de dia e dourada de noite — já vi monumentos piores, sabem? Estaciono e apanho o João, que é um amigo de há anos e que segundo penso não deve ir muito ao notário, e vamos almoçar. Na casa de pasto Ideal penso que a pescada é fixe, mas que fixe fixe (fish fish? Desculpem, estava a pedir) é este tempo, é este Setembro. É um bom tempo para começar mais um ano académico. Sol, calor, vento fresco, uma pescada impec. E com isto acho que é tempo de terminar as minhas alegações de direito e continuar a viver os factos dos dia. Afinal, há mais uma universidade para visitar, e o ano / ainda agora / começou.