Ao mar

Olhei para a janela e vi o barco no rio, virado de frente, emproado na minha direcção. Imaginei por instantes que se movia, avançando aos poucos. As casas e a cidade não interessavam, quer dizer, não existiam: era o barco e eu, com a janela pelo meio. Não me mexi. Imaginei por instantes o que seria, estar de pé, perante uma proa em movimento lento, cortando a água em que se equilibra. O barco depois virou, mas sem sair do sítio. Ah, já agora, era um cargueiro.