Poema da manhã de vinte e três de dezembro

A meio

da meia-de-leite

reparo no

sol que bate

no interior da portada.

Hora dourada, silêncio

dominical.

Ontem o céu

era azul e as nuvens

cor-de-rosa; as

árvores escuras, e estava

muito frio.

Também está frio

aqui em casa.

Sinto o frio nos pés

e nas mãos, mas sobretudo

nos pés

mesmo estando ambos dentro

de umas pantufas peludas

já um pouco gastas.

É Natal, podia

ter pedido umas

pantufas novas.

Imagino que haja boas pantufas

quentes e baratas

à venda nesta época.

Fica para

o ano.

Talvez sim, talvez

não. Quem

sabe?

Tu

sabes.

Sabes

muito.

Sabes,

agora está sol.

Hora dourada, luz

dominical.

És, com toda

a certeza,

Luz

da minha

vida.