A grande cara de Seymour Cassell

Vi há muitos anos atrás o filme Faces, de John Cassavettes. É um filme arrepiante, quase tão intenso como A Woman Under the Influence, também de John Cassavettes (esse é outra história, outro nível; outro filme, outra vida). Não porque tenha tensão, arrepios, momentos dramáticos. É só porque é tão humano que dói. Tão visceralmente humano – triste, alegre, exagerado, feliz, desesperado – que é impossível ficarmos indiferentes. No Faces, há um jantar em que o Seymour Cassell deslumbra como um playboy espetacular, que serve de escape para uma data de mulheres. O Seymour Cassell, que faleceu recentemente, tinha uma cara do caraças: nariz grande, olhos fortes, queixo definido, bom sorriso. Ria-se e assustava-se de uma maneira linda. E olhava bem, com força, com verdade. Lembrei-me disto ontem, de o ver naquele filme, de o admirar naquele preto e branco muito bonito. Adorei o Faces, tal como adorei todos os filmes que vi do Cassavettes, tal como adoro todos os filmes que me relembram o quão bonita e poderosa é essa coisa tão fixe a que chamamos vida. Descansa em paz, campeão.