Viagens

No metro, ele continua a ler o livro que começou no Verão, quando ainda nem sequer estava noivo – pelo menos do ponto de vista técnico-jurídico – numa das muitas e pequenas ilhas que existem na Indonésia. Há qualquer coisa que o agarrava nessa altura e que ainda o agarra às páginas já muito amarrotadas, que andaram por horas de voo e de espera. É o ritmo leve e profundo das narrativas, tão reais e humanas que podiam estar a acontecer à nossa frente. A dado momento ele olha para o lado, aproveitando um intervalo entre parágrafos, e repara – de forma inocente – que a mulher que está sentada ao seu lado escreve uma mensagem no telefone. O nome do destinatário parece-lhe começar por “S.”, como se fosse um santo. Ele fica com esta ideia, de que há pessoas que trocam mensagens com Santos, que lhes rezam por sms, ou algo do género. Se calhar está aí uma história. Ele sorri, e volta a pegar no livro. Falta uma página / estação para sair.