Coisas bonitas

A meio do caminho imaginei uma história, de um homem que habitava por essa zona, na Pensão Elegante, ali no Largo da Oliveirinha – que, segundo o Google Maps, termina no Largo do Oliveirinha – junto à Travessa do Fala-só. O seu nome poderia ser Gustavo, um tipo sério e justo, mesmo que mais ou menos perdido. Gustavo passaria os dias ali, naquele trecho composto por casas em obras, lojas de mosaicos, hostels com nomes ordinários e uma mercearia. Trabalharia como advogado em casos pequenos mas recorrentes, e almoçaria e jantaria na Praça da Alegria, no café Brooklyn, onde passaria horas a ler romances em inglês sobre a América. Tomaria nota, num caderno que traria sempre consigo, no bolso interior do casaco, de todas as coisas bonitas que encontrasse, como os regadores azuis que estavam hoje colocados nas várias varandas do palácio. Coisas assim, simples.