Ensaio, número dois

Antes de anoitecer abri a janela para sentir o vento. Nos cerca de doze segundos em que estive lá fora vi dois pássaros. Não eram nem gaivotas, nem pombos. Desejei ter em mim todas as palavras do mundo. Depois fechei a janela. Escrevi mais do relatório, e tive fome. Não me apeteceu sair, fiz umas papas de aveia com leite de amêndoa, e vi um episódio de Rick and Morty enquanto comia. Agora estou a escrever outra vez, e oiço sirenes lá fora. Tive amigos que cancelaram um jantar com medo de não conseguir voltar para a outra margem. Tenho a noite, o relatório e a tempestade por minha conta. As sirenes aumentam de volume. Olhei pela janela para ver se conseguia ver alguém na rua, porque pensei, quem é que estará na rua por esta , com estas condições? Estou num último andar com o telhado por cima e parece que o vento, a intensidade do vento está a ficar mais forte. Reparo que a persiana exterior da claraboia da sala já foi à vida. No meio disto tudo, tenho na minha cabeça uma música dos Big Thief. Va savoir.