(parágrafo)

Já os noto mais, junto à testa. É impressionante como se multiplicaram, desde aquele momento na casa de banho em Hill Street, acabadinho de escrever um postal nunca publicado sobre nomes que nunca se dizem, em que reparei em dois ou três, no bigode e nas patilhas. Ouvi hoje uma nova música dos Strokes e emocionei-me, não por nenhuma “bad decision” presente ou passada, mas pelo facto dos Strokes ainda conseguirem fazer grandes canções, quase 20 anos depois das primeiras. Também me emocionei nas primeiras seis canções do concerto dos Big Thief, com uma banda que é américa, que tem aquele sentimento de américa, com aquela mitologia bela, não sei explicar. Sei que odeio ver pessoas exploradas e a sofrer, que o sol ainda é de inverno e portanto falso amigo, que estou viciado no Duolingo, e que em vez de lermos mais Sapiens devíamos ouvir mais John Moreland, pois “what good’s a letter in a language you can’t read”? A luz entra pela janela e projecta-me na parede, uma sombra de mãos caídas, e eu / sonho.