Esboço / Decisões

Passei o primeiro dia de isolamento a recuperar de um prazo. Esteve um calor louco, deu para almoçar na varanda e relaxar do movimento dos últimos dias. Ainda se ouve muita coisa lá fora, muitos sons e barulhos, de carros, pessoas, buzinas. Há movimentos que não param, enquanto que outros movimentos – de viagens, mais concretamente – estão completamente fechados: disseram-me os meus vizinhos, que gerem alguns negócios de alojamento. Li um pouco, segui as notícias, escrevi um postal, bebi vitamina C e um comprimido de vitamina D, e fui jantar com a família. Não nos cumprimentámos; foi o último encontro antes de nos isolarmos todos, até uns dos outros. Rimo-nos muito, e depois falámos a séria sobre os dados, as perspectivas, a capacidade de se lidar com isto. Itália veio à baila, e Itália está muito mal, e em Itália já está toda a gente em casa, como se fosse uma guerra. Ao voltar para casa senti algum medo e muita apreensão pela incerteza do que vem aí, não por mim, mas por todos, com tudo o que parou, com tudo o que vai ter de voltar (nalgum momento), e com tanta gente que pode estar em risco. Assusta-me muito que alguém próximo fique numa situação complicada. Entrei em casa e fui-me deitar. Durante a noite sonhei que estava no pátio do meu antigo colégio, num encontro qualquer importante, e depois estava num pontão a ver os Strokes a tocar. O Casablancas a dado momento estava a tocar piano, e noutro momento tinha um baixo nos braços. Acordei com o Bad Decisions na cabeça, e fui tomar o pequeno-almoço para a varanda. Os barulhos continuam, como se fosse uma sexta-feira normal.