Há palavras que são tão geográficas como exóticas, que nos fazem duvidar da sua própria realidade. São tão fantásticas, surreais, sedutoras – verdadeiras palavras-poema. Penso nisso quando me lembro da palavra “Samoa”. Não sei porque é que me lembrei, de repente, no meio de uma quarentena forçada, da palavra “Samoa”, que para além de uma palavra é um local real, ou seja, que existe, no meio de tantos outros, neste planeta. Mas é impossível não sentir que Samoa não é mais do que um sítio ou local, de que a Samoa não é um filme, uma história que clama, como tantas outras, por ser vivida de forma única e especial. Estou a pensar na palavra, no que é e no que representa, enquanto lavo a panela de restos de papas de aveia que ficaram presos depois da confecção. Depois olho para o mapa dos EUA que está afixado numa das paredes cá de casa, que na realidade é um mapa das EUA e do Canadá, e pela mesma ordem existencial que a palavra Samoa se intrometeu na minha experiência pessoal reparo na palavra “Winnipeg”, um ponto no centro-norte do mapa. A palavra Winnipeg podia ser uma canção, tem sabor disso. Não sei nada sobre o Winnipeg, tal como não sei nada sobre a Samoa. Resolvo procurar na internet; a primeira informação que me aparece no Google é de que o Winnipeg “é a capital da província canadense de Manitoba. Seu centro é The Forks, um local histórico na interseção entre os rios Red e Assiniboine, com depósitos transformados em lojas e restaurantes, além da ampla área verde dedicada a festivais, shows e exposições. Perto dali, o Exchange District é conhecido por sua arquitetura bem preservada do início do século 20 e suas várias galerias de arte“. Tantas e bonitas palavras, tantas ficções-reais, tantos filmes e canções. Imaginei-me um dia no Manitoba com a Carol, a passearmos por Winnipeg, observando quadros no Exchange District e, quem sabe, nadando nos Red e Addiniboine, procurando alguns shows para ver antes ou depois do jantar. E de manhã, enquanto nos arranjássemos para sair, aproveitaria para escrever algumas notas no caderno, pequenos postais sobre o sonho que as coisas e os seus nomes, quando vividas e sentidas, são.