Resenha de Setembro

Às vezes é preciso, parafraseando o autor, “diminuirmo-nos”, para que possamos voltar a crescer. Gostei muito de ouvir, nas Canções do Pós-Guerra, o autor Samuel Úria de volta “aos básicos”, com arranjos simples e cheio de espaço para deixar fluir a sua elegante potência. Potência e sentimento são palavras que podia usar para descrever outro disco bom, do Primeira Dama, chamado Superstar Desilusão: no meio de uma produção precisa, entre o fuzz de garagem e o reverb de sonho, sobressai a voz de um jovem cheio de lutas, a querer ser músico em Lisboa com todas as suas forças. Outra força para este tempo de final de tese são os discos dos amigos Filipe (da Graça) e Silas (Te Voy a Matar), muito diferentes na forma (uma exploração folk-divertida sobre a amizade, a distância e a saudade em Talvez Aqui, versus uma narrativa eletrónica de tons épicos em Texto Áureo) mas muito semelhantes no aconchego. A sala é outra, com eles aqui. Mas o disco que me tem mais acomodado nas horas de escrita, recentemente, é o Vias de Extinção, do Benjamim. É um álbum muito (e bem) trabalhado, que se expande em cantos, recantos, com curvas orelhudas e surpreendentes, pedindo-nos para ficar e deixarmos as chaves na receção, que o serviço trata do resto. Belíssima cena.