Romance académico, número Uber

Chamava-se Giuseppe e era romano. Tinha 72 anos, e estava divorciado; a ex-mulher tinha ficado a viver no Brasil. Falou muito do seu filho Alessandro, que tinha sido advogado, e agora estava a estudar para ser juiz. Alessandro fala seis línguas e faz três anos que está a preparar-se para os exames, aproveitando para ler sobre outras constituições. “A Constituição italiana”, disse Giuseppe, “diz que Itália é fundada no trabalho”. Eu disse-lhe que as constituições são exemplos de uma promessa, de uma ideia, até da alma de um país. Ele riu-se. Não lhe disse o que fazia, nem que era o meu dia de anos. Não lhe interessava para nada.