A América

A América é uma ideia que é real. É mesmo, mesmo muito real. Aquelas casas de madeira, com os alpendres e os jardins, as casas todas iguais por dentro e por fora, com pessoas completamente vivas e fodidas, por dentro e por fora, isso tudo que tu vês na televisão e no cinema? A América é assim. É exatamente assim. Mas real. Podes tocar na América, podes beber um copo nos bares da América e andar de carro pelas estradas da América, que é tudo tão, mas tão tão maior que a ideia que tens dela. O céu é mais América, a estrada é mais América, o café (porra, o café) é América-máximo. E sim, é tudo bom, e é tudo mau, e é tudo o que é, bom e mau, médio e normal, é a América. Há racismo na América, e dói. Há violência na América, e dói. Mas há amor e amizade na América, e é bom. Há sonho, há esperança, há luta na América. Há fé, e é complicado, mas há muita fé na América. E nós estamos aqui e eles por lá, um país que é uma ideia, e uma piada, e uma série e um filme e milhões de discos. Milhões de livros. A América é lixada, e é entusiasmante, e é dreamy, é muita coisa. Eu gosto muito da América, e odeio muita coisa da América. Gosto de small towns. Gosto de Bruce Springsteen. Gosto de guiar pelo Texas. Gosto do Arizona. Gosto muito de Ann Arbor, que é uma América entre mil. It may be a long while before the highway / decides to finally set me free. Hoje é o dia em que a América elege o seu presidente. Vou estar atento, a ver o que se passa, na América. A América. Que cena.