8. Colagens: a letra cê

Constituição. Caos. Carlos. Colagens. Corrida. Carmo – ok, largo do, estiquei-me com essa, admito. Mas, nos títulos, tem estado sempre a letra cê. Não fiz de propósito, fui deixando aparecer. Disseram-me: cê devido ao big cê da verdade, Carol. Sempre, Carol para sempre. Cê de Covid? Vamos falar de outra coisa. Cê de cabidela. Estava tão boa… Cê de cinema – o método, forma, quadro com que encaro a realidade? O que é vida ou deixa de ser? A palavra política também tem a letra cê, mas no fim, antes da letra à. Hoje é dia de reflexão, por isso não vou desenvolver nenhuma ideia ou pensamento, deixo isso para segunda-feira. Está um bom dia para reflectir: chuva forte, café demasiado passado, papas de aveia sem mel suficiente. Dia vinte e três de janeiro e tanta coisa que parece que já aconteceu: o tempo foi pela janela desde que a pandemia chegou. Só o clima é que nos vai dando uma noção mais concreta e definida de espaço. Ontem comecei a fazer uma canção, e a aprender a misturar canções com um guia que descobri na internet. Há uma palavra ótima no meio de tanta terminologia técnica: chama-se equalização. Mexer com frequências, atribuir “claridade” e “profundidade” ao som. É uma aventura, moldar a irrealidade. Passei para uma fase descritiva da tese, antes de voltar ao analítico. Estou a gostar muito do livro Gelo da Anna Kavan, que me lança em caminhos diferentes a cada parágrafo, onde “a realidade é qualquer coisa cuja quantidade é desconhecida”. Passou-se uma semana, que pareceu imenso. Não faço a mínima ideia de qual será a letra da próxima, ou se haverá sequer uma letra. A (ir)realidade está dura, e vai continuar assim; que tenhamos força para a receber, viver e enfrentar. Agora, vou voltar a ler, a aprender, e a misturar.