9. Políticas

O governo está em modo gestão da pandemia, gestão de danos e gestão de desgaste, sem qualquer plano que não de curto-médio prazo (e mesmo esses são muito atabalhoados). Os partidos tradicionais do centro direita estão sem liderança (é incrível a nulidade que é a direção do CDS), sem ideias, e no caso do maior partido dessa ala política, a abrir a porta a um jogo de poder cuja táctica é para lá de perigosa. A Iniciativa Liberal continuará a crescer na justa proporção que o PSD e o CDS continuarem a descer, mas precisa de mais do que uma comunicação divertida e gente bem intencionada. O Bloco de Esquerda é e será apenas oposição, enquanto que o PCP se manterá no seu reduto enquanto prepara afincadamente o combate das autárquicas (onde se joga cada vez mais, e mais do que no Parlamento, o futuro do seu peso e relevância políticos). Quanto ao Chega, vai continuar a subir em detrimento da direita centrista, e a única coisa que pode impedir a catástrofe que seria Ventura tornar-se essencial para a formação de governo ou de oposição é uma mudança de paradigma no PSD e no CDS, que só pode vir com a substituição dos atuais líderes por pessoas que representem e lutem por verdadeiras alternativas democráticas, cívicas, constitucionais, visionárias e transformadoras no espectro político corrente. Sem essa alternativa, estamos em terreno minado. Marcelo foi reeleito, declarou-se atento à situação, e pareceu declarar que ia ser mais interventivo neste segundo mandato. Trabalho não lhe vai faltar (nem a nós, já agora; nem a nós).