O senhor Sokurov

O senhor Sokurov estava a subir a rua. Era de noite, a rua estava amarela, com as luzes, as cores dos prédios, e ao contraste com a estrada escura, com o céu escuro, com os sacos pretos do lixo que estão junto às portas, devido a uma qualquer política municipal. O senhor Sokurov estava a falar alemão enquanto passeava o cão (se calhar é um programa, falar línguas enquanto se passeia um cão, de noite). Ainda não percebo muito bem alemão, mas parecia-me que o senhor Sokurov estava a contar uma história, a descrever qualquer coisa – a rua, a straße amarela, ou então a música sacra que se ouvia, cantada pelo grupo coral da casa de baixo. O senhor Sokurov estava a subir a rua, levando o cão pela trela, o cão que punha o focinho junto de cada saco do lixo, enquanto o dono falava para o ar em alemão, conversando com Deus sobre isto, aquilo, e as estranhas políticas municipais deste sítio.