O primeiro mês

Quando acordei, no dia seguinte, era domingo e o quarto estava frio. O chamado oeste português tem esta mania de começar nublado, e de ir abrindo aos poucos. O primeiro mês começou assim, num hotel no oeste, com uma aliança no dedo e um cinto esquecido em Lisboa, para mal das minhas calças. Dediquei-me então à engorda, que acho que é uma dedicação típica e razoável para os primeiros tempos de matrimónio. Passaram-se trinta dias, com muitos exames, muitos testes, alguns almoços, a primeira temporada do Pose, um passeio por Monsanto, um capítulo de tese, um campeonato da Europa, e uma nova sobrinha. Ainda preciso de usar cinto, mas já estou mais compostinho, pronto para a lua-de-mel que aí vem. A Carol sonha com caminhos e passeios, com cascatas e verde. A mim apetece-me o mar, as poças e os mergulhos. Temos muita sorte: ontem celebrámos um mês do melhor dia das nossas vidas e voltámos a sentir isso. Agora apetece-nos a distância, o tempo, e o espaço de um arquipélago. Estamos contentes, tal como no dia seguinte, ou no dia anterior, ou no primeiro dia em que nos sentámos num balcão lisboeta a desfrutar um do outro. Com a Carol é tudo bom, tudo certo, tudo forte, como as melhores canções indie-rock. Fiquem com esta, uma preferida dos últimos tempos. Prometo dar-vos mais, em breve. Até já.