Lisboa

“Lisboa não é boa sem ti por cá. Ando muito à toa, sem ti por cá. E sinto, quando desço ao Rato, que és a única sacana na cidade que me pode aturar.

E Lisboa não é boa sem ti por cá. A baixa não tem coroa sem ti por cá. E eu sinto, quando estou no Chiado, que és a única sacana na cidade que me pode salvar.

E eu perdi uma amiga, perdi uma heroína, mas por ti, miúda, eu sei que voltaria. E eu perdi uma amiga, perdi uma heroína. Mas por ti, miúda, eu sei, que voltaria.

Lisboa não é boa sem ti por cá. Ando pelas lonas, sem ti por cá. E eu sinto, quando vou de carro que és a única sacana na cidade que me (a única sacana na cidade que me; que és a única sacana na cidade que me) pode perdoar.

E eu perdi uma amiga, perdi uma heroína. Mas por ti, miúda, eu sei que voltaria. E eu perdi uma amiga, perdi uma heroína.

Mas por ti, miúda, eu sei que voltaria.”

Tradução (médio-livre) de “New York” de St. Vincent, do álbum MASSEDUCTION, Loma Vista Recordings, 2017.

Dez canções para começar a semana

1. May your kindness remain, Courtney Marie Andrews. Um vozeirão country numa música que vai crescendo aos poucos em potência e beleza.

2. What a time to be alive, Superchunk. Os Superchunk vão voltar em breve com mais do mesmo, o que é sempre bom. Canção directa ao assunto e com um refrão mobilizador.

3. Every time the feeling, Nap Eyes. Rock maduro, a lembrar os Velvet Underground, com um balanço muito porreiro e simpático.

4. Jesse, Frankie Cosmos. Bom regresso de Greta Kline após dois anos. É mais do mesmo, e como no caso dos Superchunk, é isso que se quer. Pop de quarto limpa, simples e bonita. Siga.

5. USA, Jeff Rosenstock. Um disco de punk-rock sempre em frente, que bebe muito na força dos Pixies, e uma canção que é uma viagem autêntica de saltos e destruição.

6. Follow me down, Renata Zieguer. A voz lembra-me a Natalie Pratt, terna mas assertiva ao mesmo tempo. O ritmo é divertido e o tom deslumbrado; prevê-se aí um grande álbum.

7. 2 minutes, cupcakke. O beat e o flow da menina são contagiantes. Às vezes, como em Duck Duck Goose dá-lhe para uma javardeira tremenda, mas há aqui talento. O disco tem força e swag: há rapper para dar força neste início de ano.

8. Soul no. 5, Caroline Rose. A primeira canção assumidamente pop e que ouvi este ano. Vai soar bem em viagens de carro e corridas soltas

9. Taste, Rhye. Bom som dos Rhye, suave e sedutor, para entreter.

10. You are here, Yo La Tengo. O trio ternura regressa com um álbum em Março. Por agora há quatro canções de “There’s a riot going on” disponíveis para escuta. À primeira, é o calor de sempre com um travo mais beatlesco do que o normal. Ou seja, bom, bom, bom.