Primavera in da Arbor

A andar pela rua com os teus únicos óculos escuros, abrindo o casaco para deixar aquela camisola amarela apanhar algum ar e, assim, tentares de forma desajeitada mostrar o teu swag. A mirar os jardins, os bocados de neve que ainda ficaram da noite passada, os estudantes em fase de exames, e os locals das lojas que já te reconhecem e mandam aquele aceno que retribuis, e com mucho gusto. A passear, podes dizer isso, de édefones na mona a despejar sons aleatórios como gostas, por vezes, quando te dá para sair para apanhar sol. E, por fim, a passar de um lado para o outro em Main St., a dançar (anca, rodopio, ombros, pés) com as tuas melhores (e, já agora, únicas) calças de fato-treino, como se, apesar do frio que se sente no ar, e da projecção de neve para os próximos dias (eu sei que sometimes it snows in April, mas tipo, a sério?) bastasse apenas o sol que está agora no céu, a rua fechada, a cidade domingueira, uma boa canção dos Strokes e o facto de ser Abril para sentires que sim, que a Primavera está aqui, de alguma forma, e que vale a pena vivê-la como deve ser. Siga.

Oração diária

Faz do teu dia um trabalho, dedicado e devoto. Faz dos teus olhos uma ferramenta, uma porta, e uma janela. Sobretudo, saboreia os descansos que consegues ter para te enriqueceres, seres provocado, procurares de forma mais profunda, e descansares. E quanto ao resto enfrenta-o, com força e serenidade, humor e compaixão, aberto mas justo. Se preguiçares, compensa duplamente. Pensa, e se sentires que sim, e que deves, age. Se não, mantém-te no silêncio e no espaço onde estás. No final recolhe-te, e agradece o que aconteceu e te foi dado. Abre-te por completo, assume-te como foste, como estás. Pede perdão e perdoa, por mais difícil que seja. Ou pelo menos tenta, e promete que tentarás com mais força no dia seguinte. Chora, se estiveres em sofrimento; sorri, se estiveres alegre. Ou então deixa-te estar, somente, e olha em redor. Vê onde estás, o que te protege por estes instantes. Fixa as paredes, as janelas, a pouca ou nenhuma luz que te rodeia. Fecha os olhos, se preferires. Pede força e sabedoria. Agradece, mais uma vez, pela simples e difícil beleza das coisas. Depois fecha o dia como se lhe desses um bom abraço de despedida. E dorme, porque de manhã recomeças com o amor e a verdade como mínimos. Aproveita.